|
Leci Brandão
O programa dessa semana, dia 18 de novembro, fez duas homenagens a Leci Brandão e o dia da Consciência Negra.
Em 32 anos de carreira Leci Brandão fez muitas conquistas e rompeu muitas barreiras de preconceitos. Em seus trabalhos além de sempre se preocupar-se com as minorias e as classes menos privilegiadas, Leci conquistou espaços jamais ocupados por mulheres. Ela se tornou a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira.
“Nunca neguei minha origem, eu vim de uma família pobre.
Quando me tornei cantora e compositora decidi que eu iria ajudar
os menos favorecidos.” (Leci Brandão)
Para abrir a homenagem esteve no palco, direto da Bahia, o grupo Motumbá. Eles chegaram trazendo muita energia, enchendo o palco de pétalas de rosas.
Confira quem homenageou Leci Brandão:
Leandro Bueno – Só quero te namorar (Leci Brandão)
Stephany de Oliveira – As coisas que mamãe me ensinou (Leci Brandão)
Jonathan Brito – Perdoa (Xande de Pilares / Mauro Jr. / Helinho do Salgueiro)
Geisilaine – Papai vadiou (Rody / Gasper de Jacarezinho)
Rafael Augusto – Isso é Fundo de Quintal (Leci Brandão / Zé Maurício).

Conheça um pouco mais sobre a história de Leci Brandão:
(Por Matheus Colen)
Apesar das dificuldades que o preconceito racial colocou no caminho, ela nunca se deu por vencida. Considerada um dos principais ícones do samba, Leci Brandão superou os mais diversos obstáculos durante a vida.
Ainda adolescente, teve dificuldades para conseguir o primeiro emprego. Mesmo trabalhando de dia e estudando a noite, ela ainda encontrava tempo para a música. No ano de 1968 venceu o concurso “A Grande Chance” do programa Flávio Cavalcanti. A vitória no concurso lhe deu certa notoriedade: um convite de emprego e uma bolsa de estudos.
Na universidade Gama Filho, ela pôde trabalhar e estudar Direito e Comunicação. Em 1970, Leci ganha o segundo lugar no primeiro festival de música da faculdade.
No início dos anos 70, Leci conquista um feito inédito. Levada por um amigo da família, ela se torna a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira.
E é na quadra da escola de samba que ela conhece Lígia, filha do sambista Donga. Imediatamente Lígia apresenta Leci para o jornalista e crítico musical Sérgio Cabral.
Era o primeiro passo para o início da carreira profissional. Em pouco tempo Leci se apresentava no festival “Abertura”.
O samba “Antes que eu volte a ser nada” lhe faz finalista do festival e ainda rende um contrato com uma gravadora. em 1975 era lançado o primeiro LP de Leci Brandão.
Em apenas um ano Leci Brandão muda para uma grande gravadora e lança o segundo LP.
Até o final da década de 70 Leci gravou diversos álbuns, emplacou músicas em trilhas de novelas e realizou diversos shows no exterior a convite do seu padrinho musical, Martinho da vila.
A trajetória de vida de Leci Brandão se caracteriza pela luta da minoria e o tema está presente em grande parte de sua obra. No início da década de 80, Leci rescinde o contrato com a gravadora e fica cinco anos sem gravar. Tudo isso porque ninguém aceitava lançar no mercado músicas com letras repletas de temas sociais e em defesa das minorias.

Durante este tempo, ela fez muitos shows beneficentes e em campanhas políticas da oposição. Depois do jejum de cinco anos sem gravar, Leci retorna aos estúdios.
O álbum “Leci Brandão”, reúne diversas músicas que haviam sido rejeitadas anos antes. Entre elas estão sucessos como: “Zé do Caroço”, “Vadiou” e “Isso é Fundo de Quintal”. Desde então, Leci não parou mais. A cada disco lançado, uma música é dedicada às minorias.
Leci já homenageou as donas de casa, fez um samba para os professores, falou dos meninos de rua e parabenizou todas as mulheres trabalhadoras do Brasil. Isso para citar somente alguns exemplos.
Essa preocupação com as questões sociais deu à Leci Brandão o cargo de Conselheira em Entidades do Governo que lutam pela igualdade racial e das mulheres. Já são quase 30 anos de carreira e 23 discos lançados. Durante esta longa jornada, Leci ganhou diversos prêmios, foi madrinha de escola de samba e até de um certo grupo que se revelou para todo o Brasil.
Participou do projeto Pixinguinha diversas vezes, fez turnês no exterior ao lado de Martinho da Vila e Jorge Aragão. Foi comentarista de carnaval em transmissões de televisão e no rádio.
Teve também, programas de samba no rádio, viajou pelo mundo e participou até de novela. Leci Brandão é a prova viva de que preconceito não tem fundamento.
A cor da sua pele, a classe social, sua etnia, a profissão que exerce. Nada disso representa você de verdade. No fundo, somos todos iguais e ricos em nossas diferenças. |